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DEFICIÊNCIA DE G6PD E INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA: OS RISCOS DE NÃO SEGUIR AS RESTRIÇÕES

DEFICIÊNCIA DE G6PD E INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA: OS RISCOS DE NÃO SEGUIR AS RESTRIÇÕES

 

Frequentemente vejo pais relatando que não seguiam as restrições corretamente (muitos por não ter conhecimento) ou aqueles que descobriram já na idade adulta que eram deficientes de g6pd e que, apesar de não terem feito as restrições “nunca sentiram nada”.

Insistentemente reforçamos que o não “sentir” nada não significa não “acontecer” nada.

Hoje vou detalhar um estudo que relaciona a deficiência de g6pd à insuficiência renal, e reforçar a importância de seguir as restrições.

Quem assistiu à nossa palestra em São Paulo pôde ouvir esse relato de caso.

Em uma página internacional sobre deficiência de G6PD, havia um relato de caso dizendo que um homem de 36 anos, iniciou com insuficiência renal aos 30 anos sem causa aparente. Aos 18 anos ele serviu a Aeronáutica Americana e foi informado durante exames médicos que possuía “uma alteração no sangue, que em caso de malária deveria receber doses especiais de medicamentos”. Não recebeu nenhuma outra orientação sobre o diagnóstico. Levou uma vida normal até que iniciou pressão alta aos 30 anos e, teve diagnostico de insuficiência renal. A esposa

lembrou-se do “problema do sangue” e chegou ao diagnóstico de deficiência de g6pd.

Usou todo tipo de substâncias restritas durante a vida, nunca tendo tido uma crise APARENTE de hemólise, praticava esportes regularmente.

Evoluiu para hemodiálise e, posteriormente, para transplante de rins.

Pesquisando sobre a relação entre deficiência de g6pd e insuficiência renal, encontrei o artigo “PREVALENCE OF G6PD DEFICIENCY IN PATIENTS WITH CHRONIC KIDNEY DISEASE OF UNKNOWN ORIGIN IN NORTH CENTRAL REGION OF SRI LANKA: CASE CONTROL STUDY”, dos autores Jayasekara JMKB, Dissanayake DM, Gunaratne MDN, Sivakanesan R, Dissanayake DMTS, publicad no International Journal of Recent Scientific Research em 2013.

(Prevalência de deficiência de g6pd em pacientes com doença crônica dos rins de origem indeterminada em uma região do Norte Central do Siri Lanka: estudo de caso controle)

Este estudo avaliou 80 homens e 24 mulheres com doença renal crônica sem causa definida, e 160 homens e 48 mulheres sem doença renal.

Foram afastadas causas conhecidas de insuficiência renal, como diabetes, tabagismo, infecções urinárias freqüentes, uso de medicamentos e malformações nos rins.

De acordo com a medida da atividade da enzima g6pd, 20% dos pacientes com insuficiência renal tinham deficiência de g6pd,

(4% variante severa, 6% variante moderada e 10% variante leve), e apenas 2% dos controles (pessoas sem insuficiência renal) tinham deficiência de g6pd (1% moderado e 1% leve).

“Finally we can conclude that G6PD deficiency may play a considerable role in the pathogenesis of chronic kidney disease due to unknown origin”

(Finalmente nós podemos concluir que a deficiência de g6pd pode ter um papel considerável na patogênese da doença renal crônica de origem desconhecida).

Podemos concluir baseados neste estudo, que nem sempre o contato com um restrito vai causar uma hemólise VISÍVEL, pois muitas vezes os sintomas são leves e considerados um pequeno mal estar, não levando a pessoa ao hospital, ou, mesmo que vá ao hospital, acaba sendo diagnosticado como uma leve anemia sem necessidade de maiores investigações.

Essas hemólises invisíveis ao longo da vida sobrecarregam todo o copo, sendo os órgãos mais afetados o baço, fígado, vesícula biliar e rins.

As complicações mais freqüentes da falta de restrições são: anemia hemolítica crônica, cirrose do fígado, pedras na vesícula, aumento do baço e insuficiência renal.

As conseqüências podem surgir apenas muitos anos depois de adulto.

Prevenção é o melhor (e único) remédio para os deficientes de g6pd.

Na maioria das vezes há opções de medicamentos e substâncias seguras para os deficientes de g6pd, não sendo necessário uso de substâncias restritas.

Reforçando mais uma vez que “não sentir nada” não significa que não está agredindo o corpo lentamente. Essas agressões constantes a longo prazo trazem conseqüências sérias para os deficientes de g6pd.

Termino com a minha frase favorita quando alguém diz que “só um pouquinho não faz mal”: SEGURO MORREU DE VELHO

 

Escrito por Dra. Renata Garcia

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Exame de Dosagem

Exame de Dosagem
O exame para pesquisar a deficiência da Glicose 6 fosfato desidrogenase, é realizado colocando pequena porção do sangue do paciente em um papel de filtro ou o sangue coletado com um anticoagulante conhecido como EDTA. A coleta é simples, seu médico lhe dirá todas as instruções sobre como se preparar para a coleta.
Geralmente o preço do exame varia entre R$ 15,00 a 30,00 reais, depende da região do laboratório.
Uma informação importante que o paciente ou responsáveis por ele, devem passar ao atendente, é se o mesmo foi submetido a transfusão, caso tenha recebido sangue deverá aguardar pelo menos 120 dias para fazer a dosagem. Caso o paciente estiver fazendo uso do medicamento aspirina ou algum dos derivados da Vitamina K deve também avisar o laboratório.
Quando o exame é pedido?
Este tipo de exame, pode ser pedido em recém-nascidos que apresentam icterícia persistente que não pode ser explicada por outra causa e também quando a deficiência e identificada no Teste do Pezinho.
A dosagem de G6PD é feita principalmente em pacientes com sintomas de anemia (como fadiga, palidez e taquicardia) e/ou icterícia. Os exames laboratoriais mostram aumento da bilirrubina hemoglobina na urina (hemoglobinúria), diminuição da contagem de hemácias, aumento da contagem de reticulócitos e, algumas vezes, a presença de corpúsculos de Heinz nas hemácias.
O exame também pode ser feito quando foram excluídas outras causas de anemia e icterícia, mas deve ser realizado após terminar um episódio agudo de hemólise. Não deve ser pedido durante o episódio ou enquanto o paciente está em recuperação, porque apenas as hemácias mais velhas (que têm menos G6PD) são destruídas, deixando as mais novas, que têm atividade próxima do normal.  O exame deve ser repetido mais tarde se for realizado durante o período agudo.
Exames genéticos, são feitos às vezes, em uma família para identificar a mutação em mulheres portadoras, como a mãe, uma irmã ou uma filha de um homem afetado.
Que significa o resultado do exame?
Se os níveis de G6PD estiverem diminuídos, é provável que o paciente apresenta sintomas quando for submetido a estresse oxidativo. Os resultados, entretanto, não devem ser usados para prever como um paciente afetado reagirá em qualquer circunstância. A gravidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa e entre episódios do mesmo paciente.
Se um homem tem níveis normais de G6PD, é pouco provável que apresente uma deficiência. Entretanto, se o exame foi realizado durante um episódio de anemia hemolítica, deve ser repetido algumas semanas depois, quando a população de hemácias se restabelecer e amadurecer.
Mulheres heterozigotas têm hemácias deficientes e não deficientes. Em geral, os níveis de G6PD são normais ou quase normais, e poucas apresentam sintomas. portadoras, em geral, não podem ser identificadas pela dosagem da enzima. Entretanto, mulheres homozigotas (são raras) têm diminuição significativa de G6PD.
Quando é detectada um mutação da G6PD, é provável que o paciente tenha algum grau de deficiência da enzima. Um paciente específico pode não mostrar sintomas ou pode ter crises mais ou menos graves de hemólise ou anemia crônica. Um homem afetado transmitirá a mutação para todas as suas filhas, que serão portadoras, mas não para um filho (já que este receberá o cromossomo Y do pai). Uma mulher portadora tem uma probabilidade de 50% de transmitir a mutação para seus filhos ou filhas. Uma mulher homozigota é filha de um pai afetado e de uma mãe portadora, e transmitirá a mutação para todos os seus filhos e filhas. A mutação é a mesma em pessoas da mesma família e pode ser comum em uma área geográfica.
Vamos aprender olhar um resultado de um exame de Dosagem de G6PD.
*Primeiro ponto:
Olhar o Valor de Referência do Laboratório.
Lembrando que cada Laboratório tem sua REFERÊNCIA.
*Segundo Ponto:
Olhar o Resultado do exame.
Depois de olhar esses dois pontos veja se o Resultado do exame deu acima do Valor da Referência.
Exemplo: Se o valor é Maior que o Valor da Referencia.
Se der maior, considera-se NORMAL.
Ou seja não é DEFICIENTE.
E se o Resultado der ABAIXO do Valor de Referência.
Obs: Se o Resultado for menor, considera-se DEFICIENTE da enzima G6PD.
Exemplo de um resultado exame de dosagem:
Esse é um resultado de um exame de Dosagem
Obs: Valor da Referência
7.0 a 20.5
Agora observe o Resultado do exame:
23 .1
Obs: O valor desse resultado deu acima do Valor de Referência significa que essa criança não tem a deficiência.
Outro exemplo:
Esse é um resultado de um exame de Dosagem
Obs: Valor de Referência
6.97 a 20.50
Agora observe o Resultado do exame:
Resultado 4.97
Obs: O resultado deu ABAIXO do Valor de referência .
Significa que este paciente possui a deficiência da enzima G6PD
Por ocorrer de normalizar  as enzimas em alguns teste de dosagem, porém alertamos nunca descartar a deficiência somente com o exame de dosagem .
Somente o Teste Genético Molecular te dará a certeza dos fatos.

Referencia: labtestsonline.org.br/understanding/analytes/g6pd/tab/test/

Texto escrito pela Mamãe: Elisângela Pereira
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Sintomas e Prevenção da Catapora

É na Primavera que os casos de crianças infectadas pelo vírus da Catapora aumentam consideravelmente, por isso, devemos sempre estar atentos aos sintomas e tomar as devidas precauções.

Os principais sintomas causados pela Catapora são: febre, mal estar e lesões na pele.

As medicações prescritas têm o intuito de amenizar o desconforto ocasionado pela doença, porém não corta o ciclo da mesma.

Sendo este, mais um motivo para se previnir através da vacina Tetrabalho Viral, disponível no Sistema Único de Saúde  (SUS).

Uma informação muito importante para os deficientes da enzima G6PD é que para o tratamento da Catapora não é aconselhável o uso do Ibuprofeno, podendo agravar o estado clínico do paciente.

Escrito por: Adriana Pavanelli

Referência: revista crescer.globo.com/bebes/saude/noticia

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A glutationa o antioxidante “milagroso”!

A glutationa é o mais poderoso antioxidante do corpo e foi mesmo chamado de “o antioxidante mestre!” É um tripeptídeo encontrado dentro de cada célula do corpo. Antioxidantes são cruciais na eliminação de radicais livres do nosso organismo, e os radicais livres são basicamente partículas muito reativas que saltam ao redor da célula danificando tudo o que encontram. A maioria se originam durante o processo de metabolismo, mas eles também podem resultar da exposição a toxinas, irradiação e de metais tóxicos. Porque os radicais livres são tão destrutivos? As células tem uma rede de defesa para neutralizá-los, esta rede de antioxidantes são compostos por vários componentes que incluem vitaminas, minerais e produtos químicos especiais chamados tióis ( glutationa e ácido alfa – lipóico ).

A glutationa é composta de três aminoácidos: cisteína, glutamato e glicina.

A glutationa é muitas vezes confundida com a glutamina e glutamato devido à semelhança nos nomes. Embora todas as três moléculas estão relacionados, eles são diferentes na sua composição e função. Quando você está saudável, as três são equilibradas a fazem funções delicadas no organismo. Em poucas palavras, esta é a diferença entre os três:

1.Glutamina: mais abundante aminoácido do organismo, feito no cérebro a partir do glutamato; tem um papel importante em vários processos anti-lesão e reparação muscular; um precursor da glutationa.
2.Glutationa (dois tipos, GSH e GSSG): O “antioxidantes mestre”, o mais poderoso antioxidante no organismo, presente em todas as células. Protege as células, é especialmente importante para a saúde do fígado e divide-se em glutamato livre.
3.Glutamato (ácido glutâmico ou aka L- glutamato): Monopeptideo neurotransmissor, um aminoácido que desempenha sua atividade sináptica necessário para o cérebro. E uma excitotoxina!
A glutationa é diferente de outros antioxidantes em que é intracelular e tem a capacidade única de maximizar a atividade de todos os outros antioxidantes, incluindo vitaminas C e E, CoQ10, ácido alfa-lipóico que está presente em legumes frescos e frutas, que devemos comer todos os dias. Removedor de toxinas das células e protege contra os efeitos nocivos da radiação, produtos químicos e poluentes ambientais. É uma molécula do ‘milagre’! Atualmente, existe uma grande quantidade de trabalhos sobre a suplementação de glutationa, muito popularizado como um “milagrosa” em melhorar a saúde, prevenir doenças e combater o envelhecimento. Vamos separar alguns dos fatos e mitos sobre como funciona a glutationa e olhar de maneira correta a construir reservas de glutationa no corpo.

A principal função da glutationa é proteger suas células e mitocôndrias da oxidaçao e danos peroxidativos. Como a idade mais avançada a capacidade do organismo de produzir a glutationa diminui. A glutationa não é apenas um antioxidante endógeno, mas também é um fator essencial na utilização de energia, desintoxicação e prevenção das doenças que nós associamos com o envelhecimento. Deficiência de glutationa tem sido associada a:

• doenças relacionadas à idade, como Alzheimer e Parkinson.
• doenças coronárias e auto-imunes.
• artrite, asma e outras condições inflamatórias.
• Câncer.
• A disfunção mitocondrial.
• Fraqueza muscular e fadiga.
A Síntese de glutationa depende do trifosfato de adenosina (ATP), que é a molécula que fornece energia celular diretamente. Os níveis de glutationa estão ligados à deficiência de energia, ou de baixo ATP. Esta é uma das principais razões por que o exercício é tão benéfico para a sua saúde geral, entre outras e aumentando os níveis de glutationa.

Se você pode aumentar a produção de glutationa interna, e fortalecer seu sistema imunológico de uma maneira que irá protegê-lo de muitos dos efeitos adversos do envelhecimento. Nosso organismoo é muito pobre no sentido de conseguir a glutationa a partir do sistema digestório. A maioria dos suplementos de glutationa orais têm sido fracamente absorvidos.

Tem havido algum sucesso com a suplementação de glutationa intravenosa, mas isso certamente não é prático e muito caro e deve ser reservado para situações extremas. Suplementação de glutationa pode ajudar as pessoas com imunodeficiência (mas só até um certo ponto e apenas temporariamente, do tipo como recarregar uma bateria morta), lembrando que a Deficiência de G6PD não é uma imunodeficiência. Ironicamente os suplementos de glutationa podem realmente interferir com a própria produção de glutationa do corpo, por isso uma prescriçao profissional é o ideal sob uma análise correta com o indivíduo. O corpo humano é programado para auto- produzir suas próprias enzimas antioxidantes, como a glutationa e SOD (superóxido dismutase, a primeira mobilizada por suas células de defesa) e a suplementação sintética destes compostos realmente sinalizam o organismo a parar a sua produção própria, fazendo jus o uso suplementar em boas doses. Os níveis de glutationa poder melhorar tomando suplementos associados tais como o ácido alfa -lipóico, que é conhecido para regenerar a glutationa. O Ácido alfa-lipóico também ajuda a regenerar as vitaminas C e E para que eles permaneçam mais tempo ativo no corpo.

A glutamina pode ser utilizada como um suplemento, uma vez que é um precursor direto da glutationa. No entanto, há pouco  evidência que seja bem absorvida. Há também evidências de que a vitamina D aumenta glutationa intracelular.
Algumas autoridades nutricionais recomendam tomar uma forma de cisteína conhecida como N- acetil- cisteína (NAC), mas gostaria de aconselhar contra o uso deste suplemento, se você ainda tem restaurações de amálgama de mercúrio, pois poderia interferir com a desintoxicação do mercúrio e causar outros problemas. Nunca inicie o consumo sem indicação e orientação do seu médico.

 

Referências:

•Bounous G. Whey protein concentrate (WPC) and glutathione modulation in cancer treatment. Anticancer Res. 2000 Nov-Dec;20(6C):4785-92.
•Bounous G., Gold P. 1991. The biological activity of undenatured dietary whey proteins: role of glutathione. Clin Invest Med. Aug;14(4):296-309.
•Dickinson D., Iles K., Zhang K., Blank V., and Forman H. (2003) Curcumin alters EpRE and AP-1 binding complexes and elevates glutamate-cysteine ligase gene expression. J FASEB 17, 472.
•Donnini D., Zambito A.M., Perrella G; Ambesi-Impiombato F.S., Curcio F. Glucose may induce cell death through a free radical-mediated mechanism. Biochem Biophys Res Commun. 219(2):412-7 1996 Feb 15.
•El-Hawary Z., El-Hawary M.F.S., Morcus S.R. 1977. Blood glucose, glutathione, and total keto-acids levels in alloxan-diabetic rats. Zeitschrift für Ernährungswissenschaft 16(4): 227-230.
•Fidelus R.K., Tsan M.F. Glutathione and lymphocyte activation: a function of aging and auto-immune disease. Immunology. 1987 61:503-508.
•Glutathione.
•Glutathione White Paper. Richard Van Konynenburg, PhD.

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Coisas que precisamos saber: Benefícios da Glutationa

A Glutationa (GSH) é uma molécula antioxidante usada para impulsionar as funções do fígado em seres humanos. É sintetizada nas células através da formação de aminoácidos.

A Glutationa (γ-glutamilcisteinilglicina) é muitas vezes referida como o melhor antioxidante do corpo humano por causa de seus inúmeros papéis, considerado por muitos como o “tiol” não protéico mais importante nos sistemas vivos. De fato, é importante salientar que o nível de Glutationa presente em nossas células, está ligado intimamente como o potencial indicador da longevidade humana, sempre associada a uma melhor qualidade de vida.

Foi descoberto justamente por ser o antioxidante mais abundante do corpo humano. Executa várias funções que incluem:

  • prevenção do acúmulo de gorduras oxidadas no organismo;
  • promove a conversão dos carboidratos em energia;
  • prevenção relacionada com a arterosclerose;
  • combate severo aos radicais livres.

Glutationa é classificada como um tri-peptídeo, devido à sua combinação de três aminoácidos diferentes: ácido glutâmico, cisteína e glicina, por isso, é também conhecida por L-gama-glutamil-L-cisteinil-glicina.

Ela é encontrada em todo o corpo, sobretudo no trato intestinal e no fígado, onde ajudam na luta contra compostos prejudiciais que são eliminados do organismo através da bile.

Reconstrói o sistema imunológico fornecendo a Glutationa Peroxidase (GSH) para os glóbulos vermelhos e brancos, portanto, a deficiência desta molécula antioxidante hidrossolúvel, levará o corpo a uma maior vulnerabilidade, podendo ser ainda mais danificado pelos radicais livres. Falta de equilíbrio e coordenação, distúrbios mentais e tremores são algumas das doenças associadas à falta de Glutationa no sistema nervoso central (SNC).

A Glutationa é essencial para proteger as células do corpo de vários riscos e exposições, como ingestão excessiva de álcool e drogas, e toxinas produzidas durante o processo metabólico do corpo. Ela ajuda o organismo na produção de algumas células assassinas, que ajudam o sistema imunológico do corpo a combater determinadas doenças. É a presença de Glutationa no corpo que ajuda a construir uma defesa contra os radicais livres. A falta dela pode resultar em graves danos ao sistema imunológico, bem como doenças crônicas degenerativas, incluindo numerosas doenças do dia-a-dia.

A presença de várias toxinas ambientais no corpo irá, naturalmente, provocar uma diminuição na quantidade de glutationa no corpo. Assim, é um dos antioxidantes mais importantes no corpo devido à sua alta concentração e papel central na manutenção do estado “redox” (reações de redução-oxidação) das células no corpo humano.

Também é um desintoxicante, especialmente no fígado, já que o corpo humano está sujeito a vários riscos ambientais e metabólicos diariamente.

Possui enxofre contendo o aminoácido cisteína, que ajuda a destruir os materiais tóxicos prejudiciais do organismo devido a suas propriedades de ação anti-radical livre. A cisteína funciona também como um aglutinante eficaz de metais pesados no organismo. O esgotamento de cisteína, uma parte essencial da Glutationa, pode resultar em doenças frequentes e a danos ao fígado.

Frutas e legumes são algumas das fontes naturais para a Glutationa, tai como: morango, tomate, melancia, abóbora, aspargo, abacate, melão, brócolis, repolho, couve de bruxelas, couve-flor, couve e salsa, são alguns dos alimentos que contêm glutationa em abundância.

O esgotamento de cisteína na Glutationa resultará na infiltração de toxinas não neutralizadas e de radicais livres na corrente sanguínea, o que acabará por levar os tecidos do corpo a serem danificados, portanto, suplementos de Glutationa são bem vindos na dieta humana. N-acetil-cisteína (NAC) é uma das melhores formas de suplementos de glutationa. Outro suplemento espetacular neste sentido, provavelmente o mais conhecido do mundo, é o Whey Protein (Proteína do Soro do Leite). Estudos mostram que o consumo de 20grs/dia por 12 semanas, aumentam significativamente as quantidades de Glutationa. Melhoram a performance anaeróbica e proporcionam uma redução importante do percentual de gordura corporal total.

Porém seu consumo só deve ser indicado segundo aconselhamento e orientação médica.

•Stohs S.J., Lawson T., Al-Turk W.A. (1984) Changes in glutathione and glutathione metabolizing enzymes erythrocytes and lymphocytes of mice as a function of age. Gen Pharmacol. 15, 267.
•Tsan M.F., Danis E.H., Del Vecchio P.J., Rosano C.B. (1985) Enhancement of intracellular glutathione protects endothelial cells against oxidative damage. Biochem Biophys. Res. Commun. 127, 270.
•Wellner V.P., Anderson M.E., Puri R.N., Jensen G.L., Meister A. (1982) Radioprotection by glutathione ester: transport of glutathione ester in human lymphoid cells and fibroblasts. Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 81, 4732.

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G6PD e a Glutationa

A enzima G6PD cataliza a oxidação da glicose-6-fostato a 6-fosfogluconato, enquanto reduz concomitantemente a forma oxidada de NADP (nicotinamida adenina dinucleotideo fosfato) a NADPH, um cofator em diversas reações biosintéticas e que mantém a glutationa na sua forma reduzida. A glutationa reduzida retira os metabolitos oxidativos perigosos das células e, com ajuda da enzima glutationa peroxidase, converte peróxido de hidrogênio em água.

Os glóbulos vermelhos dependem da atividade da G6PD porque é a única fonte de NADPH que protege as células contra o estresse oxidativo; portanto, indivíduos com deficiência de G6PD não podem usar drogas oxidativas porque os glóbulos vermelhos hemolisam rapidamente sob estresse. É uma das causas de anemia hemolítica crônica.

Vamos entender a Glutationa:

A glutationa é um tripeptídeo com importante função antioxidante, prevenindo dano a importantes componentes celulares causados por EROs (espécies reativas de oxigênio). O grupo tiol presente na molécula de glutationa é um grupo redutor, servindo de doador de prótons e, assim, sendo responsável pela atividade biológica da glutationa. A provisão desse aminoácido é o fator limitante para a síntese de gluationa pelas células, já que a cisteína é relativamente rara em alimentação e, ainda, se for liberada como aminoácido livre, é tóxica e catabolizada espontaneamente no trato gastrointestinal e no plasma sanguíneo.

Além disso, a glutationa é o principal agente antioxidante endógeno — que é produzido pelo organismo, de modo que não precisamos ingeri-lo —, e pode participar tanto da neutralização direta de radicais livres e EROs quanto na manutenção de antioxidantes exógenos em suas formas reduzidas (ou seja, ativas), como as vitaminas C e E.

Estrutura da glutationa.

Estrutura da glutationa.

Pode-se encontrar glutationa em sua forma reduzida (GSH) ou oxidada, glutationa dissulfeto (GSSG). A importância deste par é tal que a razão GSH/GSSG é normalmente utilizada para estimar o estado de oxidorredução (referente à toxicidade) dos sistemas biológicos. Em situações normais, a GSSG representa apenas uma pequena fração da glutationa total. Ao se tornar reativa, a glutationa rapidamente se liga a outra glutationa reativa e forma a glutationa oxidada.

Estrutura oxidada da glutationa.

Estrutura oxidada da glutationa.

No entanto, após ser oxidada, a glutationa pode ser reduzida novamente por ação da enzima glutationa redutase (GSR). NADPH reduz a FAD presente na GSR para produzir um ânion FADH, que rapidamente quebra a ligação dissulfeto entre as duas moléculas de glutationa. Desta forma, para cada grupo GSSG e NADPH, obtem-se duas moléculas de glutationa reduzida, que recuperam suas funções de antioxidante.

A glutationa, também, é importante na regulação do ciclo do ácido nítrico, que é fundamental para a vida, apesar de poder ser prejudicial se mal regulado. Ela também é utilizada na síntese e reparo de DNA, síntese proteica, transporte de aminoácidos, ativação de enzimas. Pode-se dizer que cada sistema corporal pode ser afetado pelo estado da glutationa, especialmente os sistemas imune, nervoso, gastrointestinal e os pulmões.

Referências:

Allen J, Bradley RD (September 2011). “Effects of oral glutathione supplementation on systemic oxidative stress biomarkers in human volunteers”. Journal of Alternative and Complementary Medicine.

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G6PD e a Via das Pentosas

Qual a importância da enzima glicose 6- phosfato desidrogenase para a via das pentoses?

A G6PD gera no ciclo das pentoses contínua e ininterruptamente, o agente redutor mais importante da célula o NADPH e desta forma mantém funcionando o ciclo de Embeden-Meyerof. Este ciclo gera contínua e ininterruptamente o piruvato, forte desestruturador da água citoplasmática.

O ciclo das pentoses fosfato é uma rota alternativa para a oxidação da glicose-6P, no citosol, sem gerar ATP.
Esta rota corresponde a um processo multicíclico onde:

  • – 6 moléculas de glicose-6P entram no ciclo;
  • – 6 moléculas de CO2 são liberadas;
  • – 6 moléculas de pentose-5P são formadas;
  • – estas pentoses-5P se reorganizam, regenerando 5 moléculas de glicose-6P.

As células dos tecidos animais degradam a glicose 6-fosfato na via glicolítica (glicólise) até piruvato. Grande parte deste piruvato é oxidada a acetil-CoA, que por sua vez será oxidado no ciclo de Krebs (ciclo do ácido cítrico) formando ATP (principalmente, por fosforilação oxidativa).

Porém, existem outros destinos catabólicos para a glicose 6-fosfato, entre eles: o ciclo das pentoses fosfato, também, denominado de via das pentoses fosfato ou via do 6-fosfo gliconato.

O NADPH produzido pela via das pentoses fosfato é utilizado pelas células dos tecidos em que ocorre a síntese de grande quantidade de ácidos graxos (fígado, tecido adiposo, glândulas mamárias durante a lactação).

Também ocorre onde há síntese de colesterol e hormônios esteróides (fígado, glândulas adrenais e gônadas).

Os eritrócitos, as células da córnea e do cristalino, também, possuem alta atividade da via das pentoses fosfato. Isto, para minimizar os efeitos deletérios das espécies reativas do oxigênio, pois estão diretamente expostos a ele. A manutenção do ambiente redutor (relação alta da concentração de NADPH para NADP+, assim como da glutationa reduzida para a oxidada) previne ou recupera o dano oxidativo sobre lipídios, proteínas e outras moléculas sensíveis.

As células que se dividem rapidamente, como as da medula óssea, da pele, da mucosa intestinal, assim como as dos tumores, também, apresentam alta atividade da via das pentoses fosfato.

O NADPH é usado em diferentes biossínteses redutoras como a dos ácidos graxos, compostos esteróides e no combate a efeitos prejudiciais das espécies reativas de oxigênio.

O outro produto essencial gerado na via das pentoses fosfato é a ribose 5-fosfato, que faz parte das estruturas químicas dos nucleotídeos (RNA, DNA, ATP) e coenzimas como NAD+/NADH, NADP+/NADPH, FAD/FADH2 e coenzima Q.

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Deficiência de G6PD x Festa: Mamãe Ane dividindo sua experiência conosco!

Sinceramente, nunca passou pela minha cabeça não realizar a festa do primeiro aninho do meu filho.
E se engana quem pensa que não temos opções seguras de consumo para o deficiente de G6PD.
Foi uma festa super alegre com o tema Safari. Caprichei na decoração!
A mesa teve um lindo bolo falso e para os convidados foi servido um delicioso bolo de chocolate recheado com ganache e leite ninho.
As diversas caixinhas personalizadas deram ainda mais colorido à mesa. Dentro delas, muitas guloseimas liberadas: bombom de chocolate, teta de nega, balas de coco (branco), docinho de leite, docinho de banana e paçoca (pesquisei a composição dos ingredientes para ter certeza se era liberado).
Os doces escolhidos foram os tradicionais: brigadeiro, leite ninho e cajuzinho.
As lembrancinhas não podiam faltar e como já existiam muitas guloseimas na festa, pensei em algo diferente e entreguei para a criançada livrinhos com questões educativas e desenhos para colorir, acompanhados de giz de cera e também máscaras em feltro de bichinhos relacionados ao tema.
Quanto aos salgados, solicitei ao responsável do buffet que utilizasse somente temperos naturais e o pedido foi prontamente aceito. Teve coxinha, risole, empada, barquete, pastelzinho, pizza e cachorro quente (salsicha Seara). Teve refrigerante para quem gosta, ( lembrando que os sabores de limão são liberados para os deficientes G6PD) mesmo meu filho não consumindo esse produto.
No entanto, também teve suco de caju da marca Maguari, uma opção barata e livre de corantes artificiais.


É isso aí galera, espero contribuir com minha experiência! Desejo muitas e muitas festas alegres e coloridas porque nossos filhos merecem!

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Você sabia que existe dois tipos de hemolise? hemólise intravascular e extravascular, vamos entender os dois processos.

Dá-se o nome de hemólise a quebra de hemácias (hemo = sangue, lise = quebra), em que há ruptura da membrana plasmática liberando hemoglobina.

 Em condições normais, as nossas hemácias têm uma sobrevida de aproximadamente 120 dias, após esse período, elas são destruídas pelo baço e substituídas por outras hemácias. Nos casos em que se está ocorrendo hemólise, essa regra do organismo é quebrada, podendo gerar uma série de complicações ao indivíduo.

Hemácias podem ser quebradas quando em contato com soluções hipotônicas, como a água por exemplo. Isso ocorre porque a concentração de soluto da água é menor que da hemácia, assim, a água é arrastada para o interior da hemácia, difundindo-se por todo o seu interior, até rompê-la.

A hemólise pode ocorrer em casos de transfusão de sangue de fator Rh incompatível, em especial de Rh+ para Rh-. Nessa situação, os anticorpos do Rh- que recebe Rh+ produz anticorpos contra esse antígeno, e o combate resulta na destruição das hemácias.

Quando a destruição de hemácias nos vasos sanguíneos se dá em quantidades anormais e a medula óssea não é capaz de compensar essa perda, há o desenvolvimento da chamada Anemia Hemolítica. Pode haver hemólise também quando o sistema imunológico, patologicamente, passa a combater e destruir as hemácias do próprio organismo, desencadeando, assim, a Anemia Hemolítica Auto-imune.

  • Hemólise Intravascular – Destruição das hemácias dentro do espaço vascular – Hb é liberada na circulação (hemoglobinemia) e eventualmente perdida na urina (hemoglobinúria) – Hb reage com haptoglobina (complexo catabolizado pelo fígado), o que reduz a haptoglobina sérica – Excedida a saturação da haptoglobina, Hb livre é filtrada/eliminada pelos rins (hemoglobinúria). A Hb reabsorvida é armazenada nas células epiteliais tubulares renais como hemossiderina – Quando a hemólise é crônica, células epiteliais cheias de hemossiderina podem ser encontradas na urina (hemossiderinúria; reação azul da Prússia)

 

  • Hemólise Extravascular – A destruição das hemácias senescentes ou anormais ocorre no interior dos macrófagos, mormente no baço, no fígado e na MO – A anatomia do baço o torna mais sensível para detectar alterações mínimas nos eritrócitos e removê-los (diferentemente dos demais locais)

Nas Deficiência de G6PD, a hemólise pode se dar de duas formas: intravascular e extravascular. A hemólise intravascular ocorre quando as hemácias são lesadas por complexos de hemácias e anticorpos, liberando hemoglobina em excesso no plasma. Nesse caso, o rim filtra o sangue e excreta essa hemoglobina na urina. A hemólise extravascular, os receptores do sistema complemento (um sistema composto de proteínas da membrana plasmática que atuam na defesa do organismo) ligam-se às hemácias (tidas até então como antígenos), destruindo-as.

Outro fator que comumente provoca hemólise é o uso de drogas como a bactrim, metildopa, alguns tipos de antibióticos e antinflamatórios, entre outros, pois esses medicamentos podem induzir a formação de anticorpos que agirão contra as hemácias. Medicações aplicadas via endovenosa, se não diluídos corretamente, também podem causar hemólise.

Também é possível haver hemólise fora do organismo, ou seja, in vitro. Quando o sangue é armazenado sob temperaturas extremas (muito altas ou muito baixas), ou em casos em que o sangue é colhido de forma inadequada, a chance desse sangue hemolisar é grande, devido à presença de determinados anticorpos que reagem de acordo com a variação de temperatura.

  • HEMÓLISE • Consequências: – Redução da sobrevida de hemácias – Rápido catabolismo do heme (macrófagos), com produção de pigmentos biliares e CO – O ferro é reaproveitado – Protoporfirina é convertida em biliverdina e esta é reduzida a bilirrubina , que circula ligada à albumina
  • No fígado, a bilirrubina é conjugada com ácido glicurônico (glicuroniltransferase), formando a “bilirrubina conjugada” (bilirrubina-diglicuronato), excretada nas fezes (bile)/urina (reabsorção) – Bilirrubina (ou pigmentos biliares) na urina é sinal de excreção de bilirrubina conjugada (ou direta) – Bilirrubina não-conjugada (indireta) não é excretada na urina!
  • No intestino, a bilirrubina é reduzida a uma série de compostos incolores (urobilinogênios) – Os urobilinogênios podem gerar compostos coloridos (urobilinas) ou fazer a recirculação enterohepática – A grande quantidade de urobilinogênio excretado leva a formação de cálculos biliares, inclusive com icterícia obstrutiva (aumento da BD e colúria)
  •  A elevação de bilirrubina indireta no plasma se manifesta como icterícia acolúrica (já que a BI não é excretada na urina) – A hiperatividade fagocitária pode gerar esplenomegalia e hepatomegalia – A medula óssea também estará hiperplásica, com aumento da eritropoese (até 6-7 vezes o normal)
  •  Quando a sobrevida eritrocitária é menor que 20 dias, a MO não consegue mais compensar as perdas, e surge a anemia – Refletindo a hiperatividade da MO, há aumento de reticulócitos no sangue (reticulocitose) – Nas anemias hemolíticas crônicas e graves, podem ocorrer alterações ósseas importantes

Testes para Diagnosticar Hemólise: Hemograma Seriado; Contagem de Reticulócitos; Bilirrubinas Séricas; DHL Sérica ;Haptoglobina Sérica; Hemosiderinúria; Hemoglobinúria.

Testes para Definir a Causa da Hemólise:Eletroforese de Hemoglobina Autoimune: TAD e TAI (CD e CI), Fragilidade Osmótica (Esferocitose) Crioaglutininas (AHC), Teste HAM/Imunofenotipagem (HPN), Enzimopatia (G6PD, PK etc.) ,Coagulograma (CID, PTT, SHU).

 

Referências Bibliográficas:
JOHNSON, Albert.RAFF, Lewis. WALTER, Roberts. Traduzido por LEIGA, Ana Beatriz Gorini da. Biologia Molecular da Célula. Porto Alegre: Atmed,2004.

KARP, Gerald.Traduzido por: CESARIO, Maria Dalva. Biologia celular e molecular: conceitos e experimentos. São Paulo: Manole, 2005.

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