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Caso dos estudos recentes sobre o uso descontrolado do Ibuprofeno e o risco de parada cardíaca. Entenda.

Olá queridos, a uma semana o Blog, a página e o grupo vem sendo bombardeado de mensagens de pais desesperados por causa de uma informação que anda circulando pela internet, informação essa relacionada ao uso do medicamento IBUPROFENO.

O medicamento visto como mais seguro para febre usado para criança com Deficiência de G6PD, por isso tanto desespero né verdade?

Então resolvi conversa com o Dr Sérgio e pedi para que ele nos esclarecesse sobre essa assustadora informação. E ele me enviou esse pequeno, porém excelente e esclarecedor texto.

Segue esclarecimento do Dr Sérgio:

BBD Boato, Bula e Desinformação

Bom dia a todos !

Recentemente veio à tona uma história relacionando o uso de antiinflamatórios não hormonais (AINH) e problemas cardíacos; isso causou um alvoroço entre nossos seguidores e então vamos esclarecer um pouco esse problema.
Há alguns anos saiu um estudo internacional relacionando o uso de um medicamento específico, inibidor COX2 ( produto comercial mais conhecido é o Celebra) e problemas cardiovasculares, porém era com o uso em doses mais elevadas, tanto que a apresentação de 120mg foi retirada do mercado, ficando apenas a de 90mg. A partir desse ponto, houve uma grande corrida para estudar e tentar estabelecer essa mesma relação com outros antiinflamatórios.
Até o momento, não se tem comprovação científica definitiva desse efeito cardiovascular no uso, tanto que seu uso ainda é empregado sem restrição em várias partes do mundo. O ibuprofeno tem apresentação venosa na Europa e América do norte, o cetoprofeno é utilizado em protocolos de profilaxia de enxaqueca bem como no controle da febre tumoral dos Linfomas Não-Hodgkin.
Apesar de tudo que se escreve, ainda é seguro usar essas medicações, diferentemente da dipirona que foi banida nos EUA ( reconhecidamente causadora de aplasia de medula, entre outras alterações).
Não vejo motivo para alarme, sabemos da segurança e eficácia do uso do Ibuprofeno para os nossos pequenos com deficiência de G6PD.
Como diz o título, Muito cuidado com o boato, a desinformação e a interpretação da bula. Muita gente na pressa de escrever de forma alarmista não interpreta de forma correta.

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Escute o Hematologista

Olá mamães, então hoje eu quero a apresentar a todos os leitores do blog nosso mais novo colunista o Dr Sérgio Augusto, sim ele mesmo, como se não bastasse já nos ajudar e muito lá no grupo agora ele é oficialmente nosso colunista e uma vez no mês estará trazendo textos relacionados a Deficiência de G6PD, vamos ao primeiro texto?!

Olá a todos do blog !

A Nilza me pediu para escrever um texto falando da visão médica , esse texto poderia ser feito de várias maneiras , desde um causo até um texto científico , achei por bem escrever um bate papo sobre a Deficiência de G6PD e o que mais vejo no consultório

É fácil reconhecer uma consulta pela G6PD , normalmente quando chamo é sempre um casal com um pequeno de colo , os 2 com cara de assustados , às vezes com algum parente junto . São famílias que já estão no grupo do Facebook , poucas ainda não conhecem . Quando sentam na consulta , colocam tudo que está engasgado para fora , dúvidas , angústias , irritações contra os colegas que pouco conhecem , enfim chegam muito abalados por uma grande desinformação de uma patologia ainda nova para a maioria dos pediatras gerais e isso gera muita confusão .

Sempre tento começar a consulta olhando os exames e principalmente ouvindo as queixas e dúvidas , e daí direcionar a minha fala. Percebo que em 90% das vezes o caminho e sempre igual , para falar da lista e suas repercussões preciso apresentar primeiro onde fica a G6PD (hemácia) e explicar um pouco da sua função , dessa forma consigo explicar o que acontece quando usa algo da restrição , ou seja a hemólise , e assim explicar os sinais de alerta .

Numa consulta de , em média , 20-25 minutos consigo acalmar a família , mostrar que a deficiência de G6PD é uma condição ruim , porém nenhum bicho de 7 cabeças ; que seguindo a restrição a vida é completamente normal . Uma coisa que é bem importante da consulta também é frisar bem que não é uma alteração de imunidade , alergia , ou qualquer outra coisa que falarem ; e sim uma alteração ligada a célula vermelha e que a maior complicação que ocorrerá será a anemia aguda do tipo hemolítica em caso de contato com ítens da lista .

Acredito que , mesmo sendo uma doença tranquila , frente a outras doenças hematológicas mais complexas, o pediatra deve continuar a encaminhar ao hematologista . Há algumas orientações específicas que as famílias ainda ficam mais seguras quando passam em nosso consultório.

Achei mais interessante falar da dinâmica da consulta do que da doença , pois informações da Deficiência todos os leitores estão até a tampa de informação não é? Acho que uma visão do profissional que atende válida.

Abraços a todos

Onco-Hematologista pedriátrico Dr Sérgio Augusto Perlamagna

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Complicações Tardias No Paciente Com Deficiente G6PD: Por Dr Sérgio Augusto

Uma dúvida muito frequente para os pais de portadores de G6PD é: se eu não seguir as restrições ou quando ele crescer e não quiser seguir, quais são os riscos?

Em primeiro lugar devemos ter sempre em mente que a deficiência de G6PD é colocada no grupo de anemias hemolíticas, portanto não seguir as recomendações pode levar a hemólise aguda.

Nos episódios agudos, teremos um sofrimento de diversos setores (cérebro, pele, pulmão, coração, rins) esse sofrimento vai causar sobrecarga do fígado e baço e assim determinar efeitos futuros. Quando um paciente sofre hemólise, o baço é órgão responsável por fazer a “limpeza” das células quebradas, com isso ele precisa aumentar sua capacidade de trabalho, aumentando de tamanho para dar conta do serviço. No caso do fígado ele começa a ter mais trabalho para metabolizar substâncias, o que pode levar a seu aumento também durante a hemólise.

Se tivermos vários episódios semelhantes ao longo da vida teremos um baço com maior volume de sangue, com hiperfunção, assim será um paciente que terá alterações no hemograma de rotina, como anemias, e queda das plaquetas.

Um fígado aumentado, leva alteração da sua função, o que a longo prazo pode levar a fibrose do tecido hepático e assim maior risco de doenças hepáticas (cirrose, neoplasias)

Quando pensamos na hemólise, devemos lembrar que a quebra maciça de hemácias causa liberação de bilirrubinas (tom amarelado de pele e olhos), essa bilirrubina livre pode se acumular em 2 locais e assim formar cálculos (pedras): vesícula biliar e rins. Como complicação da formação de pedras, podemos ter obstrução no ducto do pâncreas, levando a quadros de pancreatite, hidronefrose (aumento de tamanho do rim), quadros frequentes de

As restrições, para muitos pais e familiares são difíceis, a prática mostra que essa dificuldade se deve mais ao fato de restringir os corantes, mas é um preço pequeno pela segurança dos pacientes portadores.

Devemos ter sempre com os documentos do paciente, cópia da lista, só seguindo a lista de restrições não enfrentaremos todas as complicações descritas. Portanto seguir a lista é melhor tratamento/prevenção para os portadores de deficiência de G6PD!!!!

 

Dr Sérgio Augusto Perlamagna é Hematologista Pediatra e colunista do Blog

Atende nas seguintes clinicas:

Central Clinic – Tatuapé: (11) 34690500

Central Clinic Santo Amaro : (11) 3056-1717

Hospital são bernardo: (11) 4122-6544

Imunoonco: (11) 5575-2895

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